“Pai, antes que o senhor enlouqueça ao ver que eu não fui hoje à escola mais uma vez, e que pense que o motivo de eu não ter ido foi porque fiquei novamente acordado até tarde; folheando um livro velho que fala sobre o romantismo do século XXI, eu irei explicar o porquê para evitar maior estresse. Antes de tudo, tire essas dobrinhas da sua testa, sente na cadeira de balanço que meu avô (teu pai) te deixou de herança e respire fundo. Bem, eu coloquei o celular pra despertar de 6h da manhã. Ele despertou como programado. Eu levantei, tomei uma ducha, lavei a cara, vesti o fardamento da escola, penteei o cabelo, comi um pão com queijo e bebi um copo de suco de maracujá. Coloquei os livros de química e física na bolsa e o fone de ouvido no bolso. Mas o inesperado aconteceu pai, eu comecei a sentir uma dor no peito, então decidi escrever essa carta. Para ser mais especifico, depois que eu tomei o café da manhã, eu fui checar as minhas mensagens recebidas no celular. Tinham três: um da operadora me oferecendo uma nova promoção; uma da guria que estuda na minha sala e que vive mandando mensagem chata de corrente para mim; outra de Tereza. Achei estranho ela ter me mandado uma mensagem, se na noite passada nós tínhamos brigado. Estava escrito assim:
“Mário, eu tenho que te contar uma coisa. Eu sei que não é a hora nem a maneira apropriada para dizer isso, mas é que eu não consegui dormir essa noite. – A mensagem tinha sido enviada às 3:45 da madrugada – Sabe, o motivo das minhas lagrimas logo após a gente ter feito amor no sábado, foi culpa. É, culpa. Eu estou apaixonada por outra pessoa, Mário. Eu não sei como isso foi acontecer; aos poucos eu fui me envolvendo e quando dei por mim, eu já estava totalmente submissa à essa paixão. Desculpa, mas é melhor a gente não se ver mais.”
Depois de eu ter lido isso eu tomei uns comprimidos da minha avó. Aqueles comprimidos que a fazem dormir. Eu tomei vários. De diferentes cores e tamanhos. Nesse momento eu estou na cozinha, sentado em umas das cadeiras da mesa, escrevendo rapidamente essa carta pra você, pai. Desculpa pelas letras borradas. Desculpa pelas manchas de lagrimas. Desculpa por não ser homem o suficiente para suportar essa dor de pé. Não dá pai, não sou tão forte como o senhor. Eu não sei o que me acontecerá daqui a algumas horas e não quero estar acordado para descobrir.
Tereza sempre foi tudo para mim, eu a conheci ainda jovem e rapidamente me apaixonei por ela. Ficamos juntos por seis anos e sete meses. Estava pensando até em pedi-la em casamento. Eu achei que ela tinha certeza que queria ficar comigo pro resto da vida, combinamos até como seria os nomes dos nossos filhos. É, filhos. Estávamos pensando em ter três: João, Rebeca e Gabriel. Agora o senhor não será mais avó, já que sou o seu único filho. Eu não entendo como tudo foi chegar ao fim. Ela poderia ter pedido para me encontrar. Terminar por mensagem? Tem coisa mais bizarra?
Nesse momento o senhor já deve ter corrido até o meu quarto e percebido que a porta está trancada. Com certeza o senhor a arrombou. Esse movimento é de se esperar, o senhor sempre foi impulsivo. Se eu morri, eu te peço que não convide a Tereza para o enterro; e que o senhor forme uma família. Saia com outra mulher, conheça novos lugares, compre outro carro e viaje… Seja feliz. Não quero te ver num luto sem fim. Eu estou bem onde estou. Mas se eu acordar depois de horas com uma tremenda dor de cabeça, me abrace forte e me convença de que tudo vai ficar bem.
Eu te amo pai.”
“Mário, eu tenho que te contar uma coisa. Eu sei que não é a hora nem a maneira apropriada para dizer isso, mas é que eu não consegui dormir essa noite. – A mensagem tinha sido enviada às 3:45 da madrugada – Sabe, o motivo das minhas lagrimas logo após a gente ter feito amor no sábado, foi culpa. É, culpa. Eu estou apaixonada por outra pessoa, Mário. Eu não sei como isso foi acontecer; aos poucos eu fui me envolvendo e quando dei por mim, eu já estava totalmente submissa à essa paixão. Desculpa, mas é melhor a gente não se ver mais.”
Depois de eu ter lido isso eu tomei uns comprimidos da minha avó. Aqueles comprimidos que a fazem dormir. Eu tomei vários. De diferentes cores e tamanhos. Nesse momento eu estou na cozinha, sentado em umas das cadeiras da mesa, escrevendo rapidamente essa carta pra você, pai. Desculpa pelas letras borradas. Desculpa pelas manchas de lagrimas. Desculpa por não ser homem o suficiente para suportar essa dor de pé. Não dá pai, não sou tão forte como o senhor. Eu não sei o que me acontecerá daqui a algumas horas e não quero estar acordado para descobrir.
Tereza sempre foi tudo para mim, eu a conheci ainda jovem e rapidamente me apaixonei por ela. Ficamos juntos por seis anos e sete meses. Estava pensando até em pedi-la em casamento. Eu achei que ela tinha certeza que queria ficar comigo pro resto da vida, combinamos até como seria os nomes dos nossos filhos. É, filhos. Estávamos pensando em ter três: João, Rebeca e Gabriel. Agora o senhor não será mais avó, já que sou o seu único filho. Eu não entendo como tudo foi chegar ao fim. Ela poderia ter pedido para me encontrar. Terminar por mensagem? Tem coisa mais bizarra?
Nesse momento o senhor já deve ter corrido até o meu quarto e percebido que a porta está trancada. Com certeza o senhor a arrombou. Esse movimento é de se esperar, o senhor sempre foi impulsivo. Se eu morri, eu te peço que não convide a Tereza para o enterro; e que o senhor forme uma família. Saia com outra mulher, conheça novos lugares, compre outro carro e viaje… Seja feliz. Não quero te ver num luto sem fim. Eu estou bem onde estou. Mas se eu acordar depois de horas com uma tremenda dor de cabeça, me abrace forte e me convença de que tudo vai ficar bem.
Eu te amo pai.”
+ Uma carta de um filho problemático, para um pai impulsivo. (via su-ssurro)


